segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Espanha homenageia polvo adivinho da Copa, que vira mania no país


Quase um mês após a conquista da Copa do Mundo, os espanhóis ainda não esqueceram o polvo Paul, que ficou famoso durante o mundial por acertar os resultados dos jogos. No domingo, o cefalópode da Alemanha foi homenageado na festa anual do polvo em O Carballiño, na região da Galícia, com escultura e título oficial de amigo da cidade.
A ideia inicial era que Paul participasse em carne e tentáculos da festa, na qual cerca de 70 mil pessoas vão degustar pratos à base de polvo, característicos da região. Nas últimas semanas, os organizadores do evento tentaram de tudo para trazê-lo a Espanha. Empresários do setor pesqueiro de O Carballiño, conhecida como a capital espanhola do polvo, ofereceram nada menos que 35 mil euros para comprar Paul - e garantiram não colocá-lo no fogão, mas exibi-lo em feiras e festas galegas.
Mesmo assim, os donos do aquário da cidade alemã de Oberhausem, onde vive o animal, refutaram a oferta, alegando que seria arriscado demais transportá-lo até a Espanha.
Mas o prefeito e o secretário de Turismo de Oberhausem foram à comemoração ontem para receber a homenagem e ainda fechar parcerias turísticas entre as duas cidades, segundo informou a prefeitura de O Carballiño.
Na semana passada, cozinheiros da cidade galega, animados com a possível vinda de Paul, anunciaram que entraram no Guiness, o livro dos recordes, por preparar o maior prato à base de polvo do mundo, pesando 100 quilos.
Mas não é só a cidade galega que está aproveitando a fama de Paul na Espanha. A inusitada aparição do polvo adivinho durante a Copa também tem rendido dividendos ao setor turístico do país. Em Madri, as principais lojas de lembranças e produtos típicos vendem camisetas com a imagem do polvo vestindo cores da bandeira espanhola. Pelas ruas da cidade, carros levam adesivos do animal com os dizeres: “o polvo Paul é espanhol”.
Também chegou às lojas uma imensa leva de bichos de pelúcia em forma do cefalópode, igual aos que os jogadores da seleção espanhola levavam nas mãos durante o desfile em carro aberto que fizeram em Madri após a vitória.
Exagero ou não, o fato é que, assim como as previsões de Paul, a “polvomania” acertou em cheio o mercado espanhol.

domingo, 1 de agosto de 2010

O mês de ouro do esporte espanhol


A Fúria, Alberto Contador, Rafa Nadal, Pau Gasol,...No mês de julho, a Espanha e os espanhóis deixaram de lado o pessimismo impulsionado pela crise econômica, pela confusão política e pela revolta social para celebrar os ótimos resultados que o país angariou no esporte nesses últimos 31 dias.
E não foram poucos: a bandeira espanhola sacudiu mais alto em pódios do futebol ao tênis, passando pelo motociclismo, o basquete, o atletismo, o ciclismo e er, a Fórmula 1.
Logo após Rafa Nadal reconquistar Wimbledom e seu posto de 1º do mundo, a seleção espanhola de futebol conquistou o mundial, mas não foi a única: os jogadores de basquete já tinham sobre o peito a medalha de ouro. Se alguém tinha alguma dúvida de que a Espanha estava no topo do mundo dos esportes, o tricampeonato de Alberto Contador no Tour de France e as vitória (legítima) do motociclista Jorge Lourenzo, (suada) da atleta Martha Dominguez e (controversa) de Fernando Alonso não deixaram dúvidas.

Também pela primeira vez em muito tempo - pelo menos desde a sequência de crises que vem abalando a confiança interna e externa do país - os espanhóis tiraram as bandeiras do armário para pendurá-las na porta de casa, vesti-las no corpo e sacudi-las pela janela do carro. Foi uma explosão de um nacionalismo adormecido desde que ficou estreitamente relacionado à ditadura franquista.

Desde o histórico 11 de julho em que Iker Casillas, Andrés Iniesta e companhia levaram pra casa, pela primeira vez, a Copa do Mundo, os meios de comunicação não param de exaltar o "ótimo momento do esporte espanhol", como classificou o jornal "El País" em editorial sobre o assunto. Hoje mesmo, em um programa especial na CNN espanhola, os comentaristas se lamentavam pelo fim de julho, "un mes para no olvidar".

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Catalunha proíbe touradas

O Parlamento da Catalunha proibiu hoje a realização de touradas em todo o território da região, uma das principais do país. Se trata da segunda região a proibir esta que é, ainda, uma das marcas da Espanha mundo afora.
A medida, aprovada depois de árduos debates (mencionados aqui), é mais simbólica, já que, na prática, a tradição espanhola de esfaquear touros em praça pública já era pouco bem-vinda e pouco exercida numa Catalunha progressista e separatista. Além disso, a medida aprovada hoje só entrará em vigor a partir de 2012 - e os pró-touradas já prometeram muito barulho até lá para tentar reverter a proibição.
Mas o simbolismo da atitude dos 68 deputados catalães que aprovaram o veto - um pouco mais dos 55 que votaram contra - é forte: põe em confronto a nova Espanha, mais aberta ao mundo e a valores como a proteção dos animais, com a velha Espanha, muito apegada às suas tradições. Quem já foi a uma tourada em Sevilha, que tem a praça de touros mais famosa do país, com sessões que atraem uma poderosa elite em traje de gala e com ingressos que beiram os 500 euros, sabe que, se essa medida significa uma mudança, ela não será fácil.
A briga, que já começou nas primeiras horas após a sessão do Parlamento, promete ser boa. Oposição, associações, organizações não-governamentais, amantes da prática e até filósofos já entraram nela. Sinal de que muita discussão vem por aí.

domingo, 18 de julho de 2010

A semana do dissidentes cubanos em Madri


Madri é mesmo eclética. Um dia depois de receber os campeões da Copa, outro avião muito esperado aterrissou na cidade, mas, desta vez, trazendo dissidentes cubanos do governo de Raúl Castro à Espanha. Eram sete, e formavam a primeira leva dos 52 presos políticos que Castro concordou em libertar nos próximos quatro meses, em acordo com a igreja mediado pelo governo espanhol, que ofereceu o acolhimento dos ex-presos.
Ao longo da semana, outros dissidentes libertados foram aterrissando em Madri. Até agora são 11, mas na próxima terça-feira devem chegar mais nove.
Apesar de libertados, esses cubanos _que trouxeram a família a tiracolo_ têm reclamado bastante da rotina "tutelada" em Madri. Isso porque não sabem para onde vão _o governo espanhol enviará cada família a uma cidade distinta do país_, não sabem aonde trabalharão _tarefa difícil em um país com mais de 20% de desempregados_ e muito menos qual será seu status_ a Espanha quer dar-lhes a condição de imigrantes com "proteção subsidiada", mas os cubanos querem ser refugiados políticos.
Além disso, foi muito polêmica a hospedagem que o governo arrumou para os cubanos: um albergue de beira de estrada no meio de um polígono industrial em um dos subúrbios de Madri. Lá, eles foram alojados em quartos pequenos compostos de camas individuais e quatro lockers e banheiros compartilhados por andar.
No mais, a grande discussão por aqui tem sido se essa libertação representa de fato uma mudança no governo do Cuba em direção ao maior cumprimento dos direitos humanos _o que a maioria deles acha que não, ou se é simplesmente uma jogada de interesses tanto por parte da Espanha, que quer mostrar um protagonismo na Europa e na América Latina, quando da própria Cuba, interessada em abrandar bloqueios econômicos internacionais e, com isso, sua crise econômica.
Aqui, deixo o link para algumas matérias que fiz sobre o caso esta semana, relatando a chegada dos presos, o limbo que enfretam em Madri, os relatos da rotina na prisão, as críticas ao presidente Lula e até a confissão de que viam novela da Globo da prisão!

terça-feira, 13 de julho de 2010

A chegada da seleção em Madri

"Bem-vindos a uma Espanha mais feliz." A frase, numa grande faixa no aeroporto de Madri, foi a primeira homenagem que os campeões da Copa receberam na volta para a casa, onde tiveram tratamento de autoridade.
O time ganhou cumprimentos do rei Juan Carlos 1º e da família real, encontrou-se com o presidente José Luis Zapatero e foi ovacionado por mais de um milhão de pessoas, que bloquearam as principais ruas da capital.
A frase ainda resume como o título da Copa vem sendo usado como válvula de escape para a crise econômica, política e até social em que a Espanha está mergulhada.

"Esta vitória é um bálsamo durante um tempo. Permitirá que fiquemos mais contentes e unidos, ainda que dure só uma semana e as pessoas depois se lembrem de que têm que pagar a hipoteca ou buscar trabalho, como eu", disse o historiador Antonio Hernandez, 24, que está desempregado há seis meses.
Ontem, ele tirou "folga" para ver o desfile do time em Madri, em maratona que começou às 14h30, no horário local, e foi até a madrugada.
Após a chegada a Barajas, em avião da Iberia pintado de amarelo e vermelho, o time foi ao Palácio Real de Madri. Lá, como chefes de Estado, os atletas foram recebidos pela família real: o rei Juan Carlos 1º e a rainha Sofia em primeiro plano, seguidos dos príncipes e do resto da família. "Vocês são exemplo de esportividade, de comportamento", disse Juan Carlos.
Já Zapatero, que vive sua maior crise de popularidade, tentou capitalizar no Palácio de Moncloa. Ele ergueu a taça e pulou com a seleção, em cerimônia que, por ordem sua, foi vista por plateia composta só por funcionários públicos e seus familiares. Mas, no discurso, ouviu vaias e pedidos de "Vicente [del Bosque, técnico] presidente".
De terno e gravata, Del Bosque, conhecido por ser frio, sorria muito e acenava para a "plateia", termômetro para o que viria em seguida -a multidão, calculada pela polícia de Madri em pouco mais de um milhão de pessoas, que assistiu ao desfile em carro aberto da seleção.
Além das bandeiras e de bonecos do polvo Paul, o meia Iniesta, autor do gol do título, foi muito festejado. "Minha geração é descrente da seleção, mas neste ano surpreenderam, e Iniesta é exemplo disso", dizia, entre lágrimas, Estanislau Millan.
Desempregado, ele pôs mulher, filha e sobrinhos no carro e dirigiu mais de 500 km para ver o ídolo.
Tímido, Iniesta iniciou os festejos se escondendo. Depois de mais de quatro horas de desfile -encaradas pelos atletas com latas de cerveja- , a maratona acabou em show a céu aberto com a seleção no palco. E com Del Bosque, enfim, sem terno.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Começam hoje as corridas de touro mais famosas da Espanha


Milhares de pessoas na Espanha se vestem hoje de vermelho e branco. E não é (só) por causa do jogo de sua seleção, mas pelo início das festas de San Fermin, em Pamplona, aquela das famosas corridas de touros, que são soltos em ruas estreitas com multidões.
Até a manhã desta quarta-feira, o saldo da festa é de dois jovens feridos. Eles participavam da primeira sessão das corridas, que é considerada festa de interesse nacional na Espanha mas ganha cada vez mais opositores no país.
Neste ano, as corridas de Pamplona, que são as mais famosas do país e acontecem em "comemoração" ao dia de San Fermin, teve a segurança reforçada para evitar mortes causadas durante o evento, como o que ocorreu no ano passado, quando um espanhol morreu depois de ser corneado por um touro.

Os feridos deste ano, segundo os organizadores da festa, são um espanhol de 20 anos, que sofreu contusão ocular, e um australiano de 18 anos, internado com contusões múltiplas. O hospital de Navarra e da Virgen del Camino, onde estão internados, ainda não divulgou o estado de saúde.
As corridas de touro de Pamplona, que acontecem desta quarta-feira até o próximo dia 14 de julio, são acompanhadas de muitas festas nas ruas da cidade, que atraem milhares de pessoas de todo o mundo.
Muitas delas, segundo a organização do evento, participam da corrida de touros sem preparação e, por isso, acabam feridas. A prefeitura de Pamplona distribuiu este ano uma cartilla com recomendações de segurança, como não participar da corrida embriagado ou sem preparação, não encostar nos touros nem destraí-los com barulho. A cartilha admite que há “mortes ocasionais” na festa – até agora, foram 15.
Mas grupos contrários às corridas, que são cada vez mais numerosos na Espanha, afirmam que as mortes ocorrem por se tratar de uma prática antiquada. A ONG Peta, uma das mais ativas contra o movimento das corridas de touro, chama a tradição de “um resquício brutal de barbárie da sociedade espanhola”. Em um estudo, afirmou que cada família do país gasta em média 47 euros ao ano com impostos destinados a subvencionar festas com touros.

sábado, 3 de julho de 2010

Espanha entrega presidência da UE

Em meio a uma crise econômica, política e até social, a Espanha entregou nesta quarta-feira a presidência rotativa da União Europeia. Depois de seis meses no comando, que passa agora à Bélgica, o país ibérico contabiliza alguns erros e acertos desta que foi a sua quarta gestão à frente do bloco, a primeira depois da entrada em vigor do Tratado de Lisboa.
Um novo governo econômico para a União Europeia foi o principal legado da presidência espanhola, na avaliação que o ministro de Assuntos Exteriores do país, Miguel Angel Moratinos, fez ao entregar o balanço da gestão, na noite desta quarta-feira em Madri.
Mas o governo de José Luis Rodriguez Zapatero também deixou alguns buracos nesta gestão, que a imprensa do país classificou esta semana de “tormentosa”. Foi o caso do cancelamento das cúpulas com os Estados Unidos e com países do Oriente Médio, por não dar as bases para um acordo de paz na região. A Espanha também não conseguiu fazer com que seus sócios europeus decidissem sobre uma eventual reabertura do diálogo diplomático com Cuba, um dos objetivos desta gestão. Mas celebrou a volta das conversas para um acordo de livre comércio com o Mercosul.
A crise econômica, no entanto, foi a grande protagonista do turno espanhol à frente da União Europeia. Neste período, a economia da Grécia quase afundou e o euro passou pelas maiores perdas desde sua criação.
O secretario espanhol para a União Europeia, Diego López Garrido, reconheceu que contornar as turbulências europeias foi uma das maiores dificuldades. “Chegamos à beira do abismo, mas conseguimos com isso demonstrar a fortaleza da Europa”, disse Garrido na segunda-feira, após reunir-se com seus homólogos da Bélgica e Hungria. Os três países dividem um turno de um ano e meio da presidência do bloco.
No plano interno, o período também foi conturbado para o país, que conheceu sua pior taxa de desemprego desde a reabertura econômica, de mais de 20% da população economicamente ativa. Nas últimas semanas, enfrenta uma série de manifestações e greves – uma delas nesta quarta-feira, do metrô de Madri – por causa do plano de ajuste fiscal anunciado por Zapatero em maio. Se acalmou os mercados e os sócios europeus, o plano significou internamente o fim da chamada paz social que a Espanha conseguia manter até então.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Metrô de Madri entra em greve e deixa mais de dois milhões sem transporte


O que fazer quando um transporte do qual dependem mais de dois milhões de pessoas pára totalmente?
Essa foi a pergunta que os moradores de Madrid - uma condição quase equivalente a de usuário de metrô - tentaram responder nesta terça-feira, quando o metrô da cidade parou completamente por causa de uma greve geral dos funcionários, ainda sem prazo para terminar.
"Madri sem metrô é como avançar na selva sem facão", cravou o "El País" em seu site. Durante todo o dia - e até depois da vitória da seleção espanhola contra Portugal - o assunto também dominou todos os telejornais, que transmitiam ao vivo entrevistas e mais entrevistas com passageiros indignados com a paralisação.
O fato é que o metrô de Madri não é só um meio de transporte. É quase uma entidade. Quase centenário, tem 294 estações, divididas em 13 linhas que cortam a cidade de cabo a rabo, e que ainda se ligam com as redes dos arredores (como aquela que foi alvo da Al-Qaeda em 2003). Por dia, passam pelos trilhos subterrâneos cerca de 2,2 milhões de pessoas, um terço de toda a população da cidade.
As consequências são as mais previsíveis: ônibus lotados, muito engarrafamento e filas para táxis e muita gente reclamando de chegar atrasado no trabalho (veja mais nesta reportagem da TVE). Viajantes que também contavam com o metrô para chegar ao aeroporto de Barajas - que tem uma estação própria - se queixavam de ter que gastar 40 euros em táxi ou ter perdido o voo.
A paralisação é o protesto de cerca de 4 mil dos 7.500 funcionários do metrô de Madri contra cortes de salários para diminuir o déficit astronômico da cidade, um dos maiores do país. A greve começou na segunda-feira, com a metade dos trens circulando, mas nesta terça-feira parou geral, e vai continuar assim até pelo menos amanhã.

domingo, 20 de junho de 2010

Dilma na Europa


É muito comum o pessoal que vem fazer viagem pela Europa percorrer um monte de países em poucos dias. Com a candidata do PT Dilma Rousseff não foi diferente. Em cinco dias, esteve em quatro países - entre eles a Espanha - onde conversou com três chefes de governo - entre eles o espanhol José Luis Rodriguez Zapatero - e um da Comissão Europeia. No mais, passeou (muito), ganhou presentes (de computador a garrafa de vinho), abraçou e beijou brasileiros em Lisboa e andou em carro de Embaixadas. Mesmo assim, no final, ela classificou a viagem de "extremamente produtiva".
Abaixo, nota que fiz para a Rádio França Internacional e, em seguida, esta para a Folha.





Luisa Belchior, correspondente da RFI em Madri

(01:04)


 

 







Lula não será meu ministro, diz Dilma a jornal espanhol
LUISA BELCHIOR
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM LISBOA
RANIER BRAGON
ENVIADO ESPECIAL A LISBOA
A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou em entrevista ao jornal espanhol "El País" deste sábado que não cogita nomear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro se vencer as eleições. No entanto, Dilma, que se apresentou ainda como ministra da Casa Civil, fez questão de atrelar seu nome ao de Lula. Disse que tem sido "o braço esquerdo e direito" do presidente e que "o sucesso de Lula é o meu".
"Sou a ministra da Casa Civil. Sou quem coordena os ministros e os principais projetos de governo. Trabalhei intimamente com Lula nos últimos cinco anos e meio. Ele não será ministro se eu chegar ao governo, mas sempre estarei aberta a suas propostas", declarou a petista na entrevista, que o "El País" destacou na primeira página de sua edição deste sábado.
No mês passado, o jornal espanhol já havia dedicado uma página a um perfil da candidata, um pouco antes de publicar uma larga entrevista com o presidente Lula.
Na entrevista deste sábado, de uma página e meia, Dilma ressaltou a sua condição de possível primeira presidente mulher do Brasil, o que é um dos motes de sua campanha eleitoral. Ela disse que seguirá a política de Lula mas com "alma e coração de mulher".
Citada pela reportagem como "a protegida de Lula" e "ex-guerrilheira que sofreu tortura", ela Dilma falou ainda de política exterior, projetos para o meio ambiente e disse se diferenciar de seu principal adversário, o tucano José Serra, por ter um projeto de "crescimento sustentável" para o Brasil.
A candidata petista passou a sexta-feira em Madri, onde se encontrou com o primeiro-ministro espanhol José Luis Rodriguez Zapatero. Neste sábado, está em Lisboa, onde se encontrará com o premiê português José Sócrates.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Espanha pára hoje contra redução de salários


A Espanha enfrenta hoje a primeira grande paralisação do funcionalismo público desde a reabertura democrática. Cerca de 2,5 milhões de funcionários em todas as regiões do país foram convocados para uma greve geral de 24 horas nesta terça-feira. Se trata de um protesto contra cortes salariais de até 5% anunciados pelo governo em maio, dentro de um plano de ajuste para encaixar a Espanha nos "moldes econômicos" da União Europeia.
Na manhã desta terçaa-feira, 75% dos convocados já aderiram à paralisação, segundo a União Geral dos Trabalhadores e Comissões Obreiras, os dois principais sindicatos do país e tradicionais aliados do chefe de governo espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero. Na capital Madri, são cerca de 60% dos funcionários parados e, na comunidade de Ceuta, a adesão foi de 100%, segundo a União Geral dos Trabalhadores. Já a secretaria de Estado da Função Pública, Consuelo Rumi, disse na manhã desta terça-feira que a adesão é de apenas 15%.
Entre os setores que participam da paralisação, estão os sistemas de saúde, educação e penitenciário, a administração pública nacional e local, portos e autoridades aeroportuárias, portuárias e marítimas e o banco central espanhol.
Do sistema de transporte público, apenas os trens da região da Catalunha e os ônibus da Cantabria aderiram à greve. O resto funciona normalmente nesta terça-feira, assim como ambulatórios, serviços de urgência, escolas, Registro Civil, alguns juizados e sessões no Congresso dos Deputados e no Senado.
Os cortes de salários previstos no plano de ajuste afetarão cerca de 2,8 milhões de funcionários públicos da Espanha, que podem perder até 220 euros por mês. Segundo o governo, as reduções começam em julho e serão feitas progressivamente por um ano. Os sindicatos consideram o plano “um duro golpe” do governo na política social, que era uma das principais bandeiras de Zapatero. A paralisação desta terça-feira marca, segundo analistas políticos do país, o fim de uma paz social que a Espanha conseguia manter apesar da crise.
A redução é a principal medida de um plano de ajuste da Espanha para reduzir seu déficit público 11,2%, quase quatro vezes maior que o limite estabelecido pela União Europeia.